Design Science Research na Pesquisa em Gestão: um desafio possível
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.20574776Palavras-chave:
Design Science Research, Pesquisa, Gestão, DesafioResumo
No editorial defendemos a Design Science Research (DSR) como paradigma fundamental para integrar o rigor científico às demandas práticas da gestão organizacional. O potencial da DSR reside na transição da observação passiva para a criação ativa de artefatos — como constructos, modelos e métodos — desenhados para resolver problemas reais e transformar situações problemáticas em estados desejáveis. Diferente das ciências naturais, a validade nesse paradigma é medida pela utilidade pragmática e pela capacidade de gerar impacto efetivo além do fator de impacto acadêmico. A adoção ainda contida dessa abordagem na pesquisa em gestão decorre de obstáculos estruturais e culturais. Identificou-se uma lacuna pedagógica nos programas de pós-graduação, cujos currículos priorizam métodos explicativo-descritivos, dificultando a capacitação em síntese criativa e modelagem, conflito frequentemente descrito como a tentativa de "misturar óleo com água". Adicionalmente, a pressão por publicações rápidas desestimula projetos de DSR devido aos seus longos ciclos de teste e refinamento, enquanto avaliadores tendem a confundir o rigor do design com relatórios de consultoria. Para superar esses desafios, é necessária uma reestruturação curricular que inclua Heurísticas de Design e Modelagem em Organizações. Propõe-se a institucionalização de protocolos de cooperação universidade-indústria, utilizando a DSR como linguagem comum para converter conceitos abstratos em soluções testáveis de alto valor econômico. Finalmente, é importante que periódicos adotem diretrizes de avaliação que reconheçam a prescrição e a utilidade como contribuições científicas legítimas para o avanço da competitividade tecnológica.
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